Por uma Filosofia da Encarnação: o “Dizer do corpo”

Edvaldo Antonio de Melo; Cristiane Pieterzack (Orgs.)

A temática do corpo ganha visibilidade na filosofia contemporânea, porém sua herança é muito mais antiga. Em um primeiro momento, a temática se justifica a partir do lugar hermenêutico da filosofia patrística, na trama das culturas grega e judaico-cristã. A pesquisa da qual emerge este livro pretende sanar uma das lacunas na História da Filosofia que tende a reduzir tal estudo ao versículo “E o Verbo se fez carne” (Jo1,14), desconsiderando interpretações oriundas de culturas da Antiguidade, nas quais a noção de corpo e/ou carne encontram-se atrelada a uma visão mais unitária do humano, que inclui também a morte. Tal visão – muitas vezes desconsiderada na história da filosofia – aparece, por exemplo, na literatura de Homero que apresenta uma concepção do humano “cósmico”, aquém ou para além da visão dualista que vem do orfismo e do pitagorismo e que, por sua vez, exerce influências em Platão. Deste modo, o presente estudo pretende investigar os germes da noção de corpo considerando tal questão a partir das culturas clássicas, perpassando a Patrística – com sua “filosofia da encarnação” – e alcançando a filosofia contemporânea – com a fenomenologia – onde se desenvolve, propriamente falando, uma “filosofia do corpo”. Neste sentido, tal investigação se justifica de modo original a partir de dois pressupostos, por um lado, afirmando que tal noção de carne presente na Patrística é já imbuída por uma trama de culturas, a saber, a judaico-cristã e helênica; por outro, pretende-se analisar até que ponto tal noção de “carne” ganha estatuto fenomenológico na Filosofia Contemporânea entre autores como Merleau-Ponty, Franz Rosenzweig, Emmanuel Lévinas, dentre outros.

 

Nº de pág.: 231

ISBN: 978-65-5917-133-0

DOI: 10.22350/9786559171330