Adeus ao humanismo

Gabriel Bittar Domingues

Os registros mostram que a humanidade, ao menos na sua versão moderna ocidental, se preocupou de forma muito intencional com o tema ética. Em distintas épocas autores trataram de discutir as questões dos ethos dos distintos povos, dando-lhes as soluções possíveis segundo as condições dos tempos e lugares. Este legado nos é apresentado hoje pela literatura filosófica sobre a ética e a filosofia moral. Considerando que a agenda das discussões éticas foi sempre proposta pelo espírito dos povos e pela energia dos ethos, não se poderia esperar outra coisa senão o fato de que esta ética tivesse um inevitável e preponderante, ainda que não exclusivo, componente antropocêntrico. Uma ética de humanos para humanos, onde os não-humanos entram no debate como algum tipo de condição para que a humanidade possa continuar sendo possível ou não. Considero que este é um dos aspectos relevantes deste texto, colocar em questão o matiz antropocêntrico das discussões éticas promovidas pela humanidade em causa própria. Este antropocentrismo estaria fundado em uma decisão ontológica de que o mundo se organiza de forma estandardizada em espécies. A estandardização entre as espécies se construiu a partir da centralidade daquela espécie que foi evolutivamente capaz de organizar seu conhecimento do mundo na forma discursiva de uma ontologia do especismo. O texto que aqui nos é apresentado recoloca a discussão do tema da ética em outros patamares. Na verdade, até mesmo o termo ética, uma derivação de ethos ou costumes, poderá ser colocado em questão se acontecer uma mudança no eixo da reflexão sobre as relações totais entre todos os entes que habitam o planeta terra e, quem sabe, o universo sem fim.

 

Nº de pág.: 97

ISBN: 978-65-5917-136-1

DOI: 10.22350/9786559171361