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Economia e cultura na modernidade capitalista: Walter Benjamin e as passagens parisienses

Pedro Henrique Magalhães Queiroz

O mote do repente é anunciado como a prosa da economia e da cultura na modernidade capitalista. O andamento será dado pelo cordel benjaminiano, o último, sem primeiro, mas aquele que fixou-se na passagem, que olhava Paris e via os invisíveis que, mediante trabalho abstrato e valor, plasmavam em vidro, aço e tijolo as Passagens, hieróglifo e sintoma de uma era na iminência da debacle, que em 1918 encontrará seu fim, obrigando os sobreviventes a viver depois do fim do mundo. Trata-se de mostrar que nesta cidade sonhos coletivos petrificaram--se, vitrificaram-se, entrelaçaram-se como aço expondo, manifestamente, sua latência regressiva e seu caráter teleológico que podem fazer despertar a utopia das sociedades sem classe, des-reprimidas e sem Estado mediante a grande indústria. Expresso na literatura, na política, na arquitetura, na moda, etc. o teor de coisa daquilo que aparece na Paris de então abre-se à crítica, à cisão da suposta unidade daquele sonho coletivo, à ruptura sincopada da harmonia entre as classes e à interrupção da exploração, da expropriação e do massacre dos vencidos de todos os tempos; vislumbra-se, assim, a revolução.

Ruy de Carvalho

 

Sobre o autor

Tem gente que é filho do holocausto – no fundo todo mundo é filho de alguma catástrofe. Sou de uma geração filha do desengano. Nasci em 1988, na cidade de Fortaleza. Cairia o Muro de Berlim, cairia a URSS, tornar-se-ia, enfim, hegemônico o capital. Toda a falência, toda a desregulamentação, todo limite ambiental, toda perda narcísica de si, marca minha geração.

Nº de pág.: 77

ISBN: 978-65-5917-177-4

DOI: 10.22350/9786559171774

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