Trabalho e utopia na modernidade: de Thomas More a Paul Lafargue

Suzana Guerra Albornoz

Nessa breve incursão às utopias da modernidade, literárias ou práticas, buscando em seus recantos o que ali se encontra de elaboração de idéias sobre o trabalho, associaram-se duas preocupações que se constituem em perspectivas disciplinares: de um lado, a história social e sociológica do trabalho e, de outro, a história do conceito de utopia. Nos tempos modernos, no mundo da produção como no plano das análises das ciências humanas e em seu elo político e moral, a categoria do trabalho se tornou central, de modo coerente com a identidade da sociedade chamada industrial, que tomou sua denominação da forma de produção e trabalho historicamente existente. Por outro lado, essa mesma época da história das civilizações, especialmente no ocidente, é das mais ricas na produção de utopias, ou seja, de propostas de reforma radical da sociedade, a ponto de se poder dizer que a história da utopia está relacionada com o surgimento do que se chamou de era moderna e com a dinâmica tecnologia que a caracteriza; muito embora o sonho humano de um mundo perfeitamente organizado possa ser visto como um dado antropológico, e estivesse também presente em outras épocas e culturas, tal como se pode pensar a partir da leitura da República de Platão, na Antigüidade grega, ou da Cidade de Deus de Santo Agostinho, na Roma recém iniciada ao cristianismo.

Nº de pág.: 186

ISBN: 978-65-5917-180-4

DOI: 10.22350/9786559171804